terça-feira, 16 de junho de 2009

Com a pseudo-revelação

– Mas diga sinceramente... você ainda sente algo por ela, não é mesmo?

– Não é verdade...

Alice inclinou a cabeça e me encarou com um olhar que gritava claramente um “eu não acredito em você”. Dei de ombros, já fazia um bom tempo que não me levavam a sério quando falávamos sobre isso.

– Você não está sendo sincero! – Continuou ela, que tentava demonstrar segurança em seu julgamento, como se isto bastasse para funcionar como uma verdade absoluta – Clark, você a amou por todo esse tempo, só não quer falar que ainda gosta dela por orgulho, para mostrar uma pseudo força, e dizer que conseguiu esquecê-la!

Percebi então que nada a calaria, exceto se eu levasse à discussão argumentos para mudar sua opinião. Por um momento pensei em simplesmente exclamar um “você está certa” e partir para a lanchonete mais próxima, meu estômago clamava por comida. Mas resolvi valorizar a opinião dela, e dessa forma lutar para que ela mudasse sua postura. Ela não estava exatamente errada, devo confessar que não é fácil extinguir o amor não correspondido que sente por alguém. Mas eu estava lutando contra isso, e se pouco me engano sobre mim, estava conseguindo vencer. Coloquei as mãos no bolso como um hábito meu, encarei as árvores ao meu redor, passeei o olhar pelo céu, e os recaí sobre a face pálida e bela de Alice, que mantinha sua postura séria e intimidadora, encarando-me com as mãos na cintura.

– Bom... – Foi como comecei minha fala, tal expressão parecia me ajudar a decodificar e dizer o que penso da melhor forma possível – Procurei por todo esse tempo uma alternativa para esquecê-la... E descobri que a cura para um amor não correspondido é um novo amor. Se for isso que deseja que eu diga, tudo certo, eu digo que ainda sinto algo por ela. Mas agora creio estar conseguindo amar outra pessoa, e por isso posso afirmar que estou a esquecendo. Assim me sinto bem.

As palavras não foram disparadas como um turbilhão de pensamentos, pelo contrário, havia conseguido falar com calma e coerência, e Alice parecia espantada com minha resposta um tanto racional. Na verdade, até eu me encontrava assustado com o que falara. Ela pediu sinceridade e recebeu a minha mais franca resposta.

– Uau. – Exclamou ela, enquanto esfregava uma mão na outra, olhando para seu próprio pé, possivelmente formulando a continuação de sua expressiva reação monossilábica – Então... eu poderia saber quem é a pessoa que está amando?

Confesso que esperei – em poucos segundos – diversos tipos de reação que ela poderia ter, que variavam desde discursos moralistas a um abraço para provar que me apoiava. No entanto, isso eu não esperava. Recuei dois passos, como se a pergunta tivesse uma força de repulsão sobre mim.

– Mas Alice... eu... nossa, eu.. Alice!

Eu tinha a consciência que soltava palavras sem nexo, e minha voz hesitava. Alice riu prazerosamente, parecia que aguardava um momento de vulnerabilidade minha desde o início de nossa conversa.

– Clark, você é meu amigo há muito tempo, sabe que pode confiar em mim! Vá logo, me conta! Quem anda tomando posse de seus pensamentos e de seu coraçãozinho fofo agora, hein? – Disse ela, com uma malvadeza pueril que só se pode encontrar na Alice.

Olhei para os dois lados, e prendi minha atenção a um pássaro que se atirava dentre os galhos de uma pequena árvore. Talvez eu não tenha uma explicação coerente e plausível para isso, mas naquele instante ele me ajudou a encontrar em minha cabeça uma resposta sagaz, que muito bem servia como uma válvula de escape.

– Você, Alice! Estou conseguindo esquecê-la porque estou me apaixonando por você agora. – Eu disse, com a expressão mais séria que pude explorar em minha face.

– Oh.

Alice empalideceu. A garota, muito branca já de natureza, lembrava agora o branco do gelo encontrado no pólo norte. Percebi também que não respirava, e seus olhos - mais abertos que os de costume - encaravam meu rosto. Embora a relatividade do tempo não me permita ser preciso agora, imagino que se passaram uns dez segundos onde me contive friamente para não rir daquele semblante espantado dela. Mas não resisti, e me desmanchei em risos, rindo alto.

– Essa foi boa, confessa? – Eu disse entre os risos, apoiando-me no ombro de Alice, enquanto inclinava minha cabeça para rir.

Aos poucos a respiração de Alice voltava. Junto com ela, poucas risadas sem graça vinham, enquanto a garota começava a tentar esboçar as primeiras palavras após o choque.

– Mas você, hein? – Disse ela pausadamente, balançando a cabeça em sinal de negação, apontando o dedo para meu rosto – Assim, você me mata!

– Foi uma brincadeira, Alice, uma inocente brincadeira. – Conclui, dando três ou quatro passos para trás. – Bom, tentarei evitar morrer de fome agora, vou me alimentar de algo! A gente se encontra mais tarde?

Ela demorou para responder. Ainda não havia se recuperado totalmente da brincadeira.

– Ah, claro. Eu te procuro no jardim.

E com um aceno me despedi dela. Alice continuou parada dentre as árvores, e não parecia disposta a se mexer. Pensei se não havia exagerado na brincadeira, se de repente aquilo ia contra as leis morais de relacionamentos. “Não, foi a melhor saída, ela jamais poderia saber de quem gosto!” - tentei me convencer.

Mas naquele dia mal conseguia dormir. Com o rosto colado no travesseiro, apenas me passava na cabeça que Alice sentia-se frustrada por algum motivo. Que seu sorriso sem graça seria apenas o fruto da decepção de uma brincadeira que poderia ser verdade.

“Ah, que tal calar esses pensamentos, seu megalomaníaco?”, briguei comigo. E por fim, fui derrotado pelo sono.

domingo, 7 de junho de 2009

Encontrei por aí... [2]


"E depois dessa rodada... Strip Poker! =D"

domingo, 24 de maio de 2009

Cartazes na rua! '-'

Campanha:

"LARGUEM AS COISAS TENSAS EM CAIEIRAS"

e deixem o biel em paz! ._.

T_T

sábado, 16 de maio de 2009

Agradecimentos do WLGD! =]

Enfim, acabou. Por um pouco mais de dois meses, vocês viram meu blog com uma aparência diferente e com posts de carga depressiva e poética. Quem me conhece sabe bem, não escrevi “when light goes down” para me promover, sem intenções de que se tenha sido palavras bonitas nulas para dizerem que escrevo bem. Não. Escrevi wlgd por uma necessidade, talvez não tão fácil de ser compreendida, mas se apropriando de um clichê, daquela necessidade de exprimir a onda de sentimentos que pulsavam em meu interior.
Mas garanto que eu mesmo me perdi na funcionalidade dos textos. Eu mesmo me perguntava com quais objetivos os publicava. Havia vezes que afirmava ser um texto direcionado a ninguém, para pessoa alguma ler, mas em certos períodos tudo que eu gostaria era que alguém o lesse. E se eu sabia que nada iria mudar, por que continuar escrevendo? Faço poemas que não são publicados, e eles suprem minha necessidade de escrita, então, para que textos simbolistas feitos à publicação? Eram quase questões existencialistas, e a qualquer momento eu estava disposto a desistir de “when light goes down”. Mas sabia que havia gente que acompanhava os textos, e embora não gostavam do meu blog (e de mim) depressivo, ao menos diziam gostar dos textos. Como uma música triste e depressiva, ninguém gosta de estar dessa maneira, mas se é para estar, que seja embalada por uma triste melodia que lhe traz um certo prazer melancólico dentro desta desconfortável situação.


E para quem leu meus textos por este período, dedico isso tudo. Agradeço e dedico para amigos como a Gabee, que em momento algum saiu do meu lado, sempre se esforçando para fazer o máximo por mim, arriscando perder coisas apenas para me fazer bem, ou tentar me ajudar em determinada situação. Gabee, você é de valor incontável para mim. Ao Danilo, que sempre leu meus textos atenciosamente, e dispunha de seu tempo para “analisá-los” e discuti-los comigo no msn, sempre com palavras / opiniões sensatas e sinceras, que me acalmavam e me ajudavam em qualquer ocasião. À Julia, que chegou com as palavras certas, no momento certo (não, eu não esqueci aquele almoço seu perdido para conversar comigo, viu?). Tati, minha pequena altruísta, meu agradecimento sincero também por essa pessoa que se importa tanto com os outros, das quais tenho a sorte de dizer que me incluo. Ao Belcha, que embora tenha aparecido para os capítulos finais, mostrou sua vontade imensa de ajudar, sentiu dores por mim, meu agradecimento mais sincero. Henrique, valores não são perdidos, meu profundo obrigado por tudo, e sim, eu terminei no seu cabalístico número treze, como atenciosamente notou. À galerinha do Cake, que jamais irá ler isso, mas não importa, família é família. Um agradecimento à musica e ao simbolismo, elementos que me apropriei para a realização dos textos. Por fim, meu agradecimento à Dani, combustível de minhas palavras, aquela pela qual prendi minha respiração e pensamentos, the angel from my nightmare. Para alguém tão especial, dedico também toda esta parafernália poética; nada mais justo, certo?


Fazer agradecimento e dedicações após terminar algo faz parecer o que escrevi muito importante, como se finalmente tivesse finalizado uma obra histórica. Não, essa não é a intenção. De repente, só precisava constar que havia muita gente do meu lado neste período, e este reconhecimento é o mínimo que posso fazer por elas. O que fiz está longe disso. Como Almada disse, “não é auto-ajuda, apenas minha história”. Apenas mais uma história da vida, de várias que aconteceram e estão para acontecer. Vocês me ensinaram a brincar no escuro, obrigado.


Para que saibam, estou super bem, não pude evitar o fim desesperadamente depressivo da série, mas após virar a última página do livro e fechá-lo, há um novo esperando por leitura, e quem sabe o que o destino prepara? Quem sabe um livro com luzes, sorrisos e felicidade, sim? As luzes se apagaram, e muita gente esteve lá, com suas lanternas, velas e isqueiros acesos por mim. Agora que podem me enxergar, notem meu sorriso de sincera alegria e gratidão por vocês. :)


Bibs.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

XIII. Aquele Que Encerra

“It's never enough to say I love you
No, it's never enough to say I try
It's hard to believe that's there's
No way out for you and me
And it seems to be,
The story of our life”


Reprimo a dor no meu peito e, um tanto enfraquecido, desato a escrever. Não há um antídoto para este veneno, e impotente, assisto meu corpo ceder à derrota iminente. Dói-me acreditar neste intransponível muro, principalmente quando por um longo período de tempo tudo o que pude visualizar foi a vida além deste. Mas ele existe, e respiro fundo para aceitá-lo. Perdoe-me se precisei de seus óculos para tal. Entenda, não posso confiar apenas em minha mente e minha capacidade imaginativa. Pois muito aprendi e conclui; eu odeio meus devaneios.


“Nobody wins when everyone's losing”


Tão breve quanto puder ser. Tranco-me em meu universo de luz baixa, e choro por ter acreditado em mim. Tranco-me no lar da segurança, e choro por ser inseguro. Tranco-me no porão de minha mente, e choro por ver distante meu admirável troféu. Não sinto a chuva, não sinto o cheiro do paraíso, e vou à nocaute ao notar que não há - nem haverá mais - a sinestesia. E você sente a dor junto. Estamos sendo corroídos. Os móveis estão fora de lugar. O consciente sino soa, é hora de ajeitá-los.


“Oh, it's like one step forward and two steps back
No matter what I do you're always mad
And I can't change your mind.”


Planejei-me como pude para enfrentar o poético e insano “mundo furioso”. Meus objetivos estavam redirecionados ao esclarecimento. Precisava provar a importância das tentativas, mostrar que as peças da engrenagem nublada de uma mente confusa logo se encaixariam. No entanto, logo provei minha incapacidade novamente. Não há mais páginas, o livro termina com um triste fim. E não há tantas complexidades para isso, é fácil compreender o destino de um perdedor. Foi derrotado.


“Oh, it's like trying to turn around on a one way street
I can't give you what you want
And it's killing me

And I, I finally see
Maybe we're not meant to be”


Por fim, anuncio que não há palavras finais. Perderam-se no meio do cinza, perderam-se quando as luzes se apagaram. Saturo-me de lamentações, sofro uma overdose de frustração. E como gostaria de ser complementar a suas cores, ser o brilho necessário de uma noite escura sua. Porém, não representar tais funções comprime minha existência. E com uma alegria melancólica eu digo “adeus”. Peço perdão por ser uma estrela em constante queda. Então encarem meu triste olhar e façam um pedido.


“Baby I'm sorry to see,
Maybe we're not meant to be”

sexta-feira, 17 de abril de 2009

XII. No qual se encontra a consciência e se procura a cura

“'Cause I try to climb your steps
I try to chase you down
I try to see how low I can get down to the ground
I try to earn my way
I try to tame this mind
You better believe that I am trying to beat this”


Caso queira me situar em uma escala de valores, procure-me próximo à base. E quanto vale a dedicação à vida utópica? Quando você não encontra nem ao menos o reconhecimento, é quando descobre que seu objetivo não é ser o nadador mais rápido, apenas luta para não se afogar sozinho. Reduzi-me a uma vida de tentativas, aguardando pelo desconhecido. Difícil tomar consciência que estive esperando por um universo vazio. Talvez seja apenas doloroso acreditar que a semente nunca nascerá em meu solo. Mas juro que estou procurando partir, juro que estou.


“So when will this end
It goes on and on
Over and over and over again
Keep spinning around I know that it won't stop
Till I step down from this for good”


Não obstante, devo acrescentar que já estou consciente do tipo de doença que tenho. Encontro-me envolto em um tornado, aguardando um fim, que oniricamente deveria ser um começo, mas ironicamente é um ciclo - e não possui começo, tampouco fim. E se já me desacredito, vejo que devo saltar do tornado, portanto a doença apenas cessa se eu quiser. Procuro elementos, alternativas, a cura. Talvez eu a encontre em um campo perigoso, onde eu respire veneno. Arriscado, porém coerente. Histórias para novas temporadas em meu jogo de luzes e palavras.


“I never thought I'd end up here
Never thought I'd be standing where I am
I guess I kind of thought that it would be easier than this
I guess I was wrong now one more time”


Já fui a prosopopéia do otimismo, já acreditei em leis inexistentes, já sonhei e rezei por tempo o suficiente. Já beijei o chão, já me reduzi a um decompositor qualquer, já admirei a vida pelo ângulo inferior. E como imaginei e pintei um futuro. Talvez foi o que mais fiz. Mas falhei no leque do destino, pensei ter imaginado todas suas cartas, não era verdade. Jamais imaginei que estaria dessa maneira. Mas não me surpreendo, acredite. Uma vez mais, eu falhei.


“Would you believe me if I said I'm tired of this?
Well here we go now one more time.

Sick cycle carousel.”


Com trechos de: